segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Recaída

6ª feira á noite revivi um ritual cuja finalidade não é mais do que me mergulhar numa letargia desnecessária...
Tal como quando estou á beira de um precipício me dá vontade saltar, há dias que algo me impele para este ritual macabro.

O dia foi pródigo em momentos que me fizeram recordar o passado, flashs que se sucediam e me encadeavam a memória.
Estavam reuniadas as condições para se formar uma tempestade...

Chegado a casa já tarde, nem jantei, peguei no MP3 e comecei a ouvir o disco 2 de Intimidade do Pedro Abrunhosa.
Deitado na marquise olhei o vazio da noite, o mesmo vazio que outrora me trouxe alegria mas que num passado recente somente me cobriu de dor e sofrimento.
Recordei o que vivi e o que não vivi.
Recordei o que vivi e não devia ter vivido.
Recordei o que vivi e deveria ter vivido de forma diferente.
Aos primeiros acordes de Lua as lágrimas rolaram rosto abaixo...

Por favor não me perguntem se sou feliz... Não sei mentir lá muito bem.


Recaída
s. f.,
acto ou efeito de recair;
reaparecimento dos sintomas de uma doença durante o período de convalescença.

13 comentários:

S. disse...

...Recordei o que vivi e não devia ter vivido...

Joana disse...

Identifico-me tanto com o que aqui está escrito!
Todos os dias parece aparecer-me algo à frente k me relembra o k eu preferia esquecer, o que me magoa mais do que eu consigo explicar.
Durante o dia tenho k tentar manter a normalidade, pa evitar a constante pergunta "como estás?" ou o "força", mas a noite é só minha e n há por onde escapar.
Axo k também n sei mentir mt bem...

Matrix disse...

Por vezes a nossa cabeça vira pescadinha de rabo na boca, e acabamos por entrar num ciclone, afunilando por vezes vertiginosamente... sem qualquer saída...
Mas porque raio não são os nossos sentimentos racionais?
Seria tudo mais fácil!
Pancadas.... de um gajo qualquer, que são o dia a dia de muitos outros gajos/as quaisquer

eva disse...

Mesmo que se queira fugir, há e haverá sempre esses momentos. Esses altos e baixos... Essas alturas em que apenas se queria um abraço apertado sem dizer uma palavra... Apenas isso nos faria sentir melhor!

Um gajo qualquer... disse...

Obrigado por voltares S.

Joana sê muito bem-vinda.
Custa responder aos: "como estás?", "força", "a vida continua"... Mas normalmente vêm de quem gosta de nós, e esses não podem ficar sem resposta, e a esses é sempre difícil mentir.

Matrix se os sentimentos fossem racionais a vida seria sempre um lindo dia de sol não era???

Eva, como são bons esses abraços...

Tita disse...

Acabei de dizer isto num blog "Porque somos complicados. Porque pensamos demasiado"... Eu sei que é fácil falar mas, também sei que não custa assim tanto esquecer o mundo, esvaziar a cabeça ou enche-la de outras coisas tão boas que só temos vontade de recomeçar, como uma folha em branco, ansiosa por se preencher de coisas novas... Deixar para trás o que pertence ao passado (porque não há mais nada a fazer), aprender com tudo (mesmo o que parece que só nos fez sofrer) e depois arquivar... Bem no fundo da nossa cabeça, onde raramente lá vais vasculhar, e que se algum dia quiseres relembrar, venha misturado com um “que se lixe!”.

Tenho por hábito não deixar que as coisas me façam mal durante muito tempo... Vejo sempre um lado positivo na coisa (há sempre um lado positivo, ou menos mau!)... Para quê desperdiçar a minha vida (curta!) com coisas com pó?

Beijooooo***

Tita disse...

Vai lá o meu espacinho... Hoje aquele post também é um cadixinho para ti... ;)

mimanora disse...

Quando li o último post da Tita lembrei-me de ti Um Gajo Qualquer...

Um gajo qualquer... disse...

Obrigado Tita e Mimanora...

We need the good light of love in here!!

:)

Eva disse...

Será que este Outono mascarado de Inverno tem alguma coisa a ver com o facto de andarmos para aqui todos a remoer o passado?!!
O problema é que os "vivi, não vivi, vivi demais, vivi de menos" só se tornam um quebra-cabeças quando o nosso presente é "um assim-assim" que nos desespera e depois nos faz sentir culpados porque olhamos para o lado e vemos tudo o que não temos: doença, miséria, etc.
Há que viver com esperança porque "o passado já foi, o futuro há-de vir e o que temos hoje é uma dádiva, por isso se chama presente"(se não viu o Panda do Kung Fu é tempo de ver!!)

Matrix disse...

Felizes os que conseguem viver o quotidiano sem o interrogarem...
Tentamos por demais dar sentido à vida e quando vemos que ela pouco a possui vamos abaixo...
Nesta altura é tempo de reencontro com os Amigos!
É tempo de lhes pedir a mão, um abraço, e partilhar com eles o pedregulho que por vezes transportamos e dar-lhes um uma pedra do mesmo, e assim aliviarmos as costas, endireitarmo-nos e seguirmos em frente!

Tita disse...

Eva e Matrix: Mai nada!!! Mesmo que nem sempre acreditemos nessas palavras, há que passá-las aos outros sempre que for preciso e estivermos numa onda de luz (agora pareceu-me demasiado espiritual, mas perceberam o que quis dizer!)

Beijones a todos os que pensam com o coração e sentem com o cérebro (ai, não, é ao contrário!)... ou isso! Tou um bocado parva!

Rapunzel disse...

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